terça-feira, novembro 18, 2008

Um dia, Manuel Bandeira pensou um poema para Maísa, a da televisão, a que canta. A outra Maísa ele não conhece não, mas manda um beijo para ela.


Maísa


Um dia pensei um poema para Maísa
Maísa não é isso
Maísa não é aquilo
Como é então que Maísa me comove me sacode me buleversa me hipnotiza?

Muito simplesmente
Maísa não é isso mas Maísa tem aquilo
Maísa não é aquilo mas Maísa tem isto
Os olhos de Maísa são dois não sei quê dois não sei como diga dois Oceanos Não-Pacíficos

A boca de Maísa é isso e aquilo
Quem fala mais em Maísa a boca ou os olhos?
Os olhos e a boca de Maísa se entendem os olhos dizem uma coisa e a boca de Maísa se condói se contrai se contorce como a ostra viva em que pingou uma gota de limão
A boca de Maísa escanteia e os olhos de Maísa ficam sérios meu Deus como os olhos de Maísa podem ser sérios e como a boca de Maísa pode ser amarga!
Boca da noite (mas de repente alvorece num sorriso infantil inefável)

Cacei imagens delirantes
Maísa podia não gostar
Cassei o poema.

Maísa reapareceu depois de longa ausência
Maísa emagreceu
Está melhor assim?

Nem melhor nem pior
Maísa não é um corpo
Maísa são dois olhos e uma boca

Essa é a Maísa da televisão
A Maísa que canta
A outra não conheço não
Não conheço de todo
Mas mando um beijo para ela

Manuel Bandeira
(1886-1968)

Mais sobre Manuel Bandeira em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Bandeira

3 comentários:

LOUCA PELA VIDA disse...

Nossa, também (fui) sou uma apaixonada por Maísa, agora lendo Bnadeira, lembro bem da bocona linda dela em preto e branco na televisão e aquele jeito de apaixonada desesperada, cantando dor e paixão.Boa...

ALINE disse...

MAÍSA, AH!MAÍSA.
INTENSA E LOUCA, MAS... MAÍSA

ALINE disse...

MAÍSA, AH!MAÍSA.
INTENSA E LOUCA, MAS... MAÍSA