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segunda-feira, junho 15, 2015
Quando a saia levantou, Alexander Search viu o tornozelo dela. E ficou sem palavras para bem descrever a vista.
Em um tornozelo
Tive uma revelação não do alto
Mas de baixo, quando a vossa saia por um momento levantou
Traiu tal promessa que não tenho
Palavras para bem descrever a vista.
E mesmo se o meu verso tal coisa pudesse tentar,
Difícil seria, se a minha tarefa fosse contemplada,
Para encontrar uma palavra que não fosse mudada
Pela mão fria da Moralidade.
Olhar é o bastante: o mero olhar jamais destruiu qualquer mente,
Mas oh, doce senhora, além do que foi visto
Que coisas podem ser adivinhadas ou sugerir desrespeito!
Sagrada não é a beleza de uma rainha.
Pelo vosso tornozelo isso cheguei a suspeitar
Do mesmo jeito que vós podeis suspeitar do que eu quis dizer.
Alexander Search, um dos heterônimos de
Fernando Pessoa
(1888-1935)
Mais sobre Fernando Pessoa em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa
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quinta-feira, março 14, 2013
Venham, vamos falar de sujeira, grita Alexander Search! A maldição de Deus está sobre nossas cabeças!
Canção suja
Venham, vamos falar de sujeira!
A maldição de Deus está sobre nossas cabeças!
Deixemos que os nossos lábios derramem irreverência!
Nós somos todos sofredores; vamos, ao invés
De preces, oferecer a Deus o sacrifício
Das nossas mentes que ele amaldiçoou com crime e vício,
Dos nossos corpos a quem a doença atemoriza!
Vamos oferecer ao maior tirano de todos,
Para que perdure na entrada de seu palácio de dor,
Uma mortalha,
E um vestido branco de noiva com uma mancha,
E as vestes enlutadas da viúva, e os lençóis amarrotados
Da cama da esposa.
Deixem que simbolizem o conflito humano!
Dê-me Deus a sujeira das ruas
Do nosso espírito, feito lama como nossas lágrimas
A poeira das nossas alegrias, o lodaçal dos nossos medos,
E a podridão da nossa vida!
Alexandre Search, um dos heterônimos de
Fernando Pessoa
(1888-1935))
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domingo, outubro 28, 2012
No fim de um arremedo de amor, Alexander Search diz adeus. E ainda pergunta: será que devo sorrir diante disso, ou não?
Eu desejei tantas vezes que este arremedo de amor
Eu desejei tantas vezes que este arremedo de amor
Entre nós findasse agora.
Mas nem para mim mesmo consigo fingir
Que uma vez chegado este fim eu chegaria a uma felicidade plena.
Tudo é também partida.
Nosso dia mais feliz também nos torna um dia mais velhos.
Para alcançar as estrelas, temos que ter também a escuridão.
A hora mais fresca é também a mais fria.
Não ouso hesitar em aceitar
Sua carta de separação, no entanto, desejo
Com vago sentimento de ciúme que mal posso rejeitar
Que nos caberia ainda um caminho diferente.
Adeus! Será que devo sorrir diante disso, ou não?
O sentimento agora perde-se em meus pensamentos.
Alexander Search, um dos heterônimos de
Fernando Pessoa
(1888-1935)
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segunda-feira, outubro 01, 2012
Alexander Search não acredita em nada e em seu epitáfio diz que nada em parte alguma é sincero. A não ser dor, ódio, luxúria e medo.
Epitáfio
Aqui jaz Alexander Search
A quem Deus e os homens deixaram no engano
E a natureza zombou com dor e tristeza
Ele não acreditava no Estado ou na Igreja
Nem em Deus, mulher, homem ou amor
Nem na terra embaixo, nem no céu acima;
O seu conhecimento o levou a esses limites:
(...) e amor é cio
Nada em parte alguma é sincero
A não ser dor, ódio, luxúria e medo.
Alexander Search, um dos heterônimos de
Fernando Pessoa
(1888-1935)
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segunda-feira, outubro 31, 2011
Alexander Search teve uma revelação não do alto mas de baixo, quando a saia dela por um momento levantou. E não teve palavras para bem descrever a vista.
Em um tornozelo
Tive uma revelação não do alto
Mas de baixo, quando a vossa saia por um momento levantou
Traiu tal promessa que não tenho
Palavras para bem descrever a vista.
E mesmo se o meu verso tal coisa pudesse tentar,
Difícil seria, se a minha tarefa fosse contemplada.
Para encontrar uma palavra que não fosse mudada
Pela mão fria da Moralidade
Olhar é o bastante: o mero olhar jamais destruiu qualquer mente,
Mas oh, doce senhora, além do que foi visto
Que coisas podem ser adivinhadas ou sugerir desrespeito!
Sagrada não é a beleza de uma rainha.
Pelo vosso tornozelo cheguei a suspeitar
Do mesmo jeito que vós podeis suspeitar do que eu quis dizer.
Alexander Search, um dos heterônimos de
Fernando Pessoa
(1888-1935)
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