Namorados
No degrau do inverno turno,
sentaram-se os namorados.
Vai crescendo entre os seus ombros
denso bosque de impossíveis,
com muitos ramos escuros.
Um denso bosque de espinhos
vai crescendo entre os seus lábios.
Pálidas palavras secas,
folhagem de despedidas,
sombra de confusa angústia
na curva jovem da boca,
no doce lugar dos beijos.
Tão perdidos, tão sozinhos
por interiores caminhos!
Diante deles, as estátuas,
eternamente enlaçadas,
gloriosamente desnudas,
profundamente amorosas,
com brilhos de primavera
no etéreo gesto de mármore...
(Festivos corpos de pedra!)
Nos namorados humanos,
o corpo é lento e pesado,
longa rede a escorrer lágrimas
nas vastas areias da alma...
Cecília Meireles
(1901-1964)
Mais sobre Cecília Meireles em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cec%C3%ADlia_Meireles
Segunda-feira, Julho 13, 2009
Cecília Meireles sente o denso bosque de impossíveis entre os namorados. E diante deles, as estátuas eternamente enlaçadas, profundamente amorosas.
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Cecília Meireles
Mário de Sá-Carneiro ama Estela, a atriz, como nunca amou. Mas ela não o conhece nem conhecerá e nunca o amará.
A uma actriz
Amo-te, oh! formosa, oh! divinal mulher,
Oh! sol, oh! fada, oh! estrela, oh, Estela minha!
Do meu coração és tu a única rainha!
Por ti desafiava o próprio Lúcifer,
Os santos, Deus, o mundo...até o rei!
Amo-te Estela como nunca amei!
Só em ti penso, quando enfraquecer-me sinto
No meio d'esta vida em que não tenho fé!
Por ti, por ti, não julgues que te minto,
Crê que matava a minha mãe até!
Amo-te Estela com amor profundo
E tu nem me conheces (oh! como é o mundo!
Vê-se uma mulher e pela vez primeira
Atenta-se n'ela... é d'ela a nossa vida inteira!)
És uma célebre actriz por todos adorada,
Quando pisas o palco, Estela, fascinada
A platéia toda fica... e eu mais que ninguém
Louco... louco sim d'amor... e de furor também
Porque te adoro muito (não com 'sperança)
Oh! formosa, oh! divina, oh! gentil criança!
Vi-te no teatro, há tempo, inebriante
Uma peça representares. No mesmo instante
Como todos por ti, meu sol fui encantado!...
Nessa noute não dormi, em ti só eu pensei
E desde esse dia, Estela ouve:
Amei!...
O meu coração tinhas, sem querer, tu conquistado...
.......................................................................................
O teu olhar de fogo foi quem isto fez.
Eu não deixei um dia sabes de te ver
Estela, meu anjo e luz então desde essa vez!
Amo-te, amar-te-ei, oh! querida até morrer
Mas nunca, nunca; escuta: tu conhecerás
Quem isto sente e diz e...
nunca o amarás!
Mário de Sá-Carneiro
(1890-1916)
Mais sobre Mário de Sá-Carneiro em
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_de_S%C3%A1-Carneiro
Amo-te, oh! formosa, oh! divinal mulher,
Oh! sol, oh! fada, oh! estrela, oh, Estela minha!
Do meu coração és tu a única rainha!
Por ti desafiava o próprio Lúcifer,
Os santos, Deus, o mundo...até o rei!
Amo-te Estela como nunca amei!
Só em ti penso, quando enfraquecer-me sinto
No meio d'esta vida em que não tenho fé!
Por ti, por ti, não julgues que te minto,
Crê que matava a minha mãe até!
Amo-te Estela com amor profundo
E tu nem me conheces (oh! como é o mundo!
Vê-se uma mulher e pela vez primeira
Atenta-se n'ela... é d'ela a nossa vida inteira!)
És uma célebre actriz por todos adorada,
Quando pisas o palco, Estela, fascinada
A platéia toda fica... e eu mais que ninguém
Louco... louco sim d'amor... e de furor também
Porque te adoro muito (não com 'sperança)
Oh! formosa, oh! divina, oh! gentil criança!
Vi-te no teatro, há tempo, inebriante
Uma peça representares. No mesmo instante
Como todos por ti, meu sol fui encantado!...
Nessa noute não dormi, em ti só eu pensei
E desde esse dia, Estela ouve:
Amei!...
O meu coração tinhas, sem querer, tu conquistado...
.......................................................................................
O teu olhar de fogo foi quem isto fez.
Eu não deixei um dia sabes de te ver
Estela, meu anjo e luz então desde essa vez!
Amo-te, amar-te-ei, oh! querida até morrer
Mas nunca, nunca; escuta: tu conhecerás
Quem isto sente e diz e...
nunca o amarás!
Mário de Sá-Carneiro
(1890-1916)
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Mário de Sá-Carneiro
Sábado, Julho 11, 2009
Para Augusto dos Anjos, o amor da humanidade é uma mentira. E é por isto que em sua lira de amores fúteis poucas vezes ele fala.
Idealismo
Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!
O amor da Humanidade é uma mentira.
É. E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.
O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaira,
De Messalina e de Sardanapalo?!
Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
— Alavanca desviada do seu fulcro —
E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!
Augusto dos Anjos
(1884-1914)
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_dos_Anjos
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Augusto dos Anjos
Schmidt chora pelos que não choram, pelos corações feridos, pelos indiferentes. E pelas almas que não conhecem a liberdade das lágrimas.
Soneto
Eu queria chorar pelos que não choram.
Eu queria chorar pelos olhos secos,
Pelos olhos que são fontes
Onde as mágoas se purificam e se libertam.
Eu queria chorar pelos corações feridos
E que sangram obscura e silenciosamente.
Eu queria chorar pelas almas mártires
Que estão invisivelmente entre nós.
Eu queria chorar pelos indiferentes
E pelos que escondem num sorriso
As decepções de uma incompreendida bondade.
Eu queria chorar pelas almas fechadas,
Pelas almas que são como os desertos
E que não conhecem a liberdade das lágrimas.
Augusto Frederico Schmidt
(1906-1965)
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Frederico_Schmidt
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Augusto Frederico Schmidt
Sexta-feira, Julho 10, 2009
Em 1925, o modernista Oswald de Andrade já cantava a importância dos prazeres da alma. E diante da vitrola, exigia: discos a todos os preços.
Música de manivela
Sente-se diante da vitrola
E esqueça-se das vicissitudes da vida
Na dura labuta de todos os dias
Não deve ninguém que se preze
Descuidar dos prazeres da alma
Discos a todos os preços
Oswald de Andrade
(1890-1954)
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Oswald_de_Andrade
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Oswald de Andrade
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