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terça-feira, julho 21, 2015

Quando morrer e te deixar eu quero nunca te deixar. Quero ficar preso ao teu amanhecer, o compromisso de Oswald de Andrade.


Compromisso

Comprarei
O pincel
Do Douanier
Pra te pintar
Levo
Pro nosso lar
O piano periquito
E o Reader's Digest
Para não tremer
Quando morrer
E te deixar
Eu quero nunca te deixar
Quero ficar
Preso ao teu amanhecer

Oswald de Andrade
(1890-1954)

Mais sobre Oswald de Andrade em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Oswald_de_Andrade

sábado, janeiro 18, 2014

Quando morrer e te deixar eu quero nunca te deixar. Quero ficar preso ao teu amanhecer, no compromisso de Oswald de Andrade.


Compromisso

Comprarei
O pincel
Do Douanier
Pra te pintar
Levo
Pro nosso lar
O piano periquito
E o Reader's Digest
Para não tremer
Quando morrer
E te deixar
Eu quero nunca te deixar
Quero ficar
Preso ao teu amanhecer

Oswald de Andrade
(1890-1954)

Mais sobre Oswald de Andrade em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Oswald_de_Andrade

sábado, novembro 16, 2013

A família do burrinho, segundo Oswald de Andrade.


A família do burrinho 

- Vamos Joseph fugir
- Para onde Maria ir
Joseph (jocoso) – shall go to Jundi-aí ai!
- Depressa! Sela o Mangarito
Vamos com o vento Sul
Onde serei cesariada?
- Não presepe
- Tenho medo da vaca
- Não chores darling (terno) Sweepstake de Deus!
Maria – Caí na ilegalidade
Porque modéstia à parte
Trago uma trindade no ventre
Nesse tempo não havia ainda as irmãs Dione 
Algumas palavras de inglês conhecendo
A família sagrada partiu
Sem saudades levar
Para as bandas do mar
Vermelho
Na poeira da madrugada
Cruzou um olival
O escaravelho
- Quantas dracmas serão precisas?
Exclamou o castiço esposo
Para esta viagem em torno da lei do mundo
Estamos no século III ou IV da fundação
De Roma
E só tenho “argent de poche”
- Não vá faltar Joseph
- Na verdade Deus ajuda…
(os ricos)
- Sonhei que os serafins
Estão bordando uma estrela surda
Para Herodes não ver
Quero reis magos
Trenzinho e monjolo
E o retrato de Shirley Temple
Porque o menino vem
Este mundo salvar
O vento distribuía algodão pelos açudes
Joseph espancou o burrinho
E riu
- Belo mundo ele vem salvar!
(Já havia naquele tempo
Pouco leite para os bebês)
- Se faltar numerário
Eu carrego na centena do Mangarito
E dou um viva ao faraó Hitler…
(Antes que ele faça comigo
O Progrom que fez com Moisés)
- Oportunista! gritou uma nuvem
Joseph fingiu que não ouvia
- A vida é um buraco
Enquanto não vier Maria
A socialização
Dos meios de produção
- Besta! gritou um anjo
São José seguiu pensando
Que os anjos geralmente são reacionários

Oswald de Andrade
(1890-1954)

quinta-feira, setembro 05, 2013

Oswald de Andrade e os gramáticos. Sempre às turras, até na Poesia.


O gramático

Os negros discutiam
Que o cavalo sipantou
Mas o que mais sabia
Disse que era
Sipantarrou.

Oswald de Andrade
(1890-1954)

segunda-feira, agosto 05, 2013

Quem nunca escreveu algo parecido em momento de paixão, não viveu um grande amor. De Oswald de Andrade, o "Secretário dos Amantes".


Secretário dos Amantes

I

Acabei de jantar um excelente jantar
116 francos
Quarto 120 francos com água encanada
Chauffage central
Vês que estou bem de finanças
Beijos e coisas de amor

II

Bestão querido
Estou sofrendo
Sabia que ia sofrer
Que tristeza este apartamento de hotel

III

Granada é triste sem ti
Apesar do sol de ouro
E das rosas vermelhas

IV

Mi pensamiento hacia Medina del Campo
Ahora Sevilla envuelta en oro pulverizado
Como una dádiva s mis ojos enamorados
Sin embargo que tarde la mia

V

Que alegria teu rádio
Fiquei tão contente
que fui à missa
Na igreja toda a gente me olhava
Ando desperdiçando beleza
Longe de ti

VI

Que distância!
Não choro
porque meus olhos ficam feios.

Oswald de Andrade
(1890-1954)

Mais sobre Oswald de Andrade em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Oswald_de_Andrade

segunda-feira, julho 15, 2013

Eles querem matar todo amor, denuncia Oswald de Andrade. E grita, com revolta: atira, resiste, defende, o futuro será de toda a humanidade.


Alerta

Lá vem o lança-chamas
Pega a garrafa de gasolina
Atira
Eles querem matar todo amor
Corromper o pólo
Estancar a sede que eu tenho doutro ser
Vem do flanco, de lado
Por cima, por trás
Atira
Atira
Resiste
Defende
De pé
De pé
De pé
O futuro será de toda a humanidade.

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Oswald_de_Andrade

segunda-feira, maio 20, 2013

Oswald de Andrade quer um poema livre da gramática, do som das palavras, de traços. Um poema que de tão livre traga em si a decisão de ser escrito ou não.


Risco

Um poema livre
da gramática, do som
das palavras
livre
de traços

Um poema irmão
de outros poemas
que bebem a correnteza
e brilham
pedras ao sol

Um poema
sem o gosto
de minha boca
livre da marca
de dentes em seu dorso
Um poema nascido
nas esquinas nos muros
com palavras pobres
com palavras podres
e
que de tão livre

traga em si a decisão
de ser escrito ou não

Oswald de Andrade
(1890-1954)

Mais sobre Oswald de Andrade em
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sexta-feira, novembro 30, 2012

O pão de Açúcar e a poesia de cada dia, segundo Oswald de Andrade.


Escapulário

No Pão de Açúcar
De Cada Dia
Dai-nos Senhor
A Poesia
De Cada Dia

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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segunda-feira, setembro 17, 2012

E tudo acabou em carnaval. No lançamento do movimento Modernista, foi assim que Oswald de Andrade viu a formação do nosso país.


brasil

O Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani de mata virgem
- Sois cristão?
- Não,  Sou bravo, sou forte sou filho da morte
Tetetê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá de longe a onça resmungava Uu! Ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
- Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o carnaval.

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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quarta-feira, agosto 08, 2012

O amor de Oswald de Andrade lhe ensinou a ser simples como um largo de igreja. Onde nem há nem um sino, nem um lápis, nem uma sensualidade.


Ditirambo

Meu amor me ensinou a ser simples
Como um largo de igreja
Onde nem há nem um sino
Nem um lápis
Nem uma sensualidade

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Oswald_de_Andrade

quarta-feira, maio 09, 2012

Eles querem matar todo amor, denuncia Oswald de Andrade. E grita, com revolta: atira, resiste, defende, o futuro será de toda a humanidade.


Alerta

Lá vem o lança-chamas
Pega a garrafa de gasolina
Atira
Eles querem matar todo amor
Corromper o pólo
Estancar a sede que eu tenho doutro ser
Vem do flanco, de lado
Por cima, por trás
Atira
Atira
Resiste
Defende
De pé
De pé
De pé
O futuro será de toda a humanidade.

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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quarta-feira, novembro 30, 2011

Para Oswald de Andrade, desde Bilac somos internacionalistas e portugueses júniors. E desde a Prosopopéia somos brasileiros.


Estrondam em ti as iaras

Desde Bilac
Somos internacionalistas e portugueses júniors
Gostamos de Camembert, do Nilo, de Frinéia e de Marx
Carvões do mar
Náufragos entre sustos e paisagens
- "I don't know my elders!".
Desde Gonzaga
Somos pastores e desembargadores
Desde a Prosopopéia
Somos brasileiros.

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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domingo, outubro 30, 2011

A família do burrinho, segundo Oswald de Andrade.



A família do burrinho 

- Vamos Joseph fugir
- Para onde Maria ir
Joseph (jocoso) – shall go to Jundi-aí ai!
- Depressa! Sela o Mangarito
Vamos com o vento Sul
Onde serei cesariada?
- Não presepe
- Tenho medo da vaca
- Não chores darling (terno) Sweepstake de Deus!
Maria – Caí na ilegalidade
Porque modéstia à parte
Trago uma trindade no ventre
Nesse tempo não havia ainda as irmãs Dione
Algumas palavras de inglês conhecendo
A família sagrada partiu
Sem saudades levar
Para as bandas do mar
Vermelho
Na poeira da madrugada
Cruzou um olival
O escaravelho
- Quantas dracmas serão precisas?
Exclamou o castiço esposo
Para esta viagem em torno da lei do mundo
Estamos no século III ou IV da fundação
De Roma
E só tenho “argent de poche”
- Não vá faltar Joseph
- Na verdade Deus ajuda…
(os ricos)
- Sonhei que os serafins
Estão bordando uma estrela surda
Para Herodes não ver
Quero reis magos
Trenzinho e monjolo
E o retrato de Shirley Temple
Porque o menino vem
Este mundo salvar
O vento distribuía algodão pelos açudes
Joseph espancou o burrinho
E riu
- Belo mundo ele vem salvar!
(Já havia naquele tempo
Pouco leite para os bebês)
- Se faltar numerário
Eu carrego na centena do Mangarito
E dou um viva ao faraó Hitler…
(Antes que ele faça comigo
O Progrom que fez com Moisés)
- Oportunista! gritou uma nuvem
Joseph fingiu que não ouvia
- A vida é um buraco
Enquanto não vier Maria
A socialização
Dos meios de produção
- Besta! gritou um anjo
São José seguiu pensando
Que os anjos geralmente são reacionários

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Oswald_de_Andrade

terça-feira, outubro 04, 2011

Quando morrer e te deixar eu quero nunca te deixar. Quero ficar preso ao teu amanhecer, no compromisso de Oswald de Andrade.


Compromisso

Comprarei
O pincel
Do Douanier
Pra te pintar
Levo
Pro nosso lar
O piano periquito
E o Reader's Digest
Para não tremer
Quando morrer
E te deixar
Eu quero nunca te deixar
Quero ficar
Preso ao teu amanhecer

Oswald de Andrade
(1890-1954)

Mais sobre Oswald de Andrade em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Oswald_de_Andrade

quarta-feira, agosto 31, 2011

Oswald de Andrade escreveu um poema sobre os soldados brasileiros que lutaram contra o fascismo na Segunda Guerra Mundial. E foi bombardeado por parte da crítica, por que será?


Canto do pracinha só

Soldado
Resoluto e pequenino
Do Brasil

Levaste na tua sacola
As cores claras da aurora
Levaste no teu bornal
As  cores quentes do sol
Levaste no teu fuzil
A fúlgida flor de anil
Da bandeira do Brasil
Para o mundo libertar

Nas noites do tombadilho
Quando pávido espiavas
As estrelas no plúmbeo mar
Por sobre o teu capacete
Um cruzeiro de prata
Fazia o sinal da cruz
Que tua mãe ensinou

Da torre negra e sombria
Do teu carro de assalto
Da baioneta calada
Da revolta artilharia
Da asa do teu avião
O facho da liberdade
Crepitou na epopéia
Alçado por tua mão

Pracinha tu és povo
Calejado do Brasil
Carregas como um noivado
A morte no teu fuzil

Agora deita o teu peito
No regaço da pátria
Conta, não fiques mudo
Brigaste em Castelnuovo
Subiste em Montecastelo
Fala do boche sanhudo
Que te encontrou na batalha

Na hora letal e fria
Pegaste o porco nazista
Sangraste o porco fascista
Que pretendeu macular
O teu bocado de pão
O teu bocado de honra
O teu bocado de lar

Vou te contar a história
Do Zé Tedesco e do Fritz
Da Lurdinha e do Lurdão
Que metralhavam o chão
Onde eu estava deitado
A bala zunia pertinho
Matou Carlo e Chiquinho
Quebrou vidro, quebrou pedra
Queria o mundo acabar
Queria o mundo enlutar

Mas eu ouvia baixinho
A voz da Pátria falar

Caminha soldado
Pra frente da luta
Que a luta é vitória
É canto de glória
A morte recria
A morte respeita
Quem sabe lutar

Outros deixaste esperando
No comovido poema do lar

Não tenho família, não tenho
Ninguém pra me desvelar
Sou sozinho no mundo
Não tenho família, não tenho
Ninguém pra me desvelar
Sou sozinho no mundo

Não tenho ninho nem lar
Amargo remôo a pena
Do homem que foi jogado
Na dura roda do azar

Não conheci pai e mãe
Não tenho por quem lutar
Se aqui ficar debruçado
Por mim ninguém vem chorar

Não pracinha querido
Marcha pra frente da luta
A vida dos brasileiros
Depende do teu combate
Faze com que tua pátria
No jogo da confusão
O mundo inteiro arrebate

Nasceste no berço verde
Da terra de Castro Alves
Da terra de Patrocínio
Da terra que não suporta
Os ferros da escravidão

Luta pracinha, luta
Contra toda tirania
Ataca o ódio, a inveja
Dilacera a vilania

Há tanta cobra na terra
Há tanta cobra na mar
Há tanta cobra no mundo
Tanto, tanto Calabar

Não, pracinha dorido
A cobra que está fumando
A todos há de vencer
A todos há de fumar
Tua missão é maior
Que a simples luta da guerra
Tua missão é tirar
Da ruína um mundo melhor

Vou teus irmãos convocar
João, pracinha do Norte
Pedro, pracinha do Sul
Antonio, de Mato Grosso
Ricardo, da Paraíba
Francisco, do Ceará
Negro do cais da Bahia
Mineiro do Sabará
Ofereço-te quarenta e quatro milhões
Novecentos e noventa e nove mil
Novecentos e noventa e nove irmãos

Que mais tu queres, brasileiro?

Conquistastes a atmosfera antes de conquistar a liberdade
Na passarela de Bartolomeu de Gusmão
Bebeste o leite
Dos seringais atolados do Amazonas
O sal que te nutre é do Rio Grande do Norte
A carne que te enrijece é do Rio Grande do Sul
E no deserto antigo de Volta Redonda
Encastelaste as torres metálicas da siderurgia

A Pátria te promete os abraços do porvir
E te oferece a humilde oblata de sua grave realidade

Pátria lavada de lágrimas
Sangrada de suores

Atropelada pelos sicários do latifúndio,
Gravada de rebeldias, de revelações
Pátria dos coronéis que arcabusaram a liberdade
Absurda pátria da mortalidade infantil
Dos patrões que mataram a vida
No seio das operárias tornadas infecundas
Pelas tarefas
Pátria trágica
Que dá maleita, isolamento, saudade e atropelo
E as farturas vertiginosas dos estômagos vazios
O ouro da tua bandeira

Não descora na línfa amarela dos rios
O teu verde não mais significa
A agonia das crianças empaludadas
E teu azul não beija apenas as grossas chagas
Que estrelam os mendigos dos caminhos
A tua noite não desce sempre
Sobre a física dos cortiços
A iluminação melancólica dos parques
E o prumo neutro dos arranha-céus

Pátria majestosa
Desde os Inconfidentes e os Andradas
Os grandes padres rebeldes
Roma, Caneca, Toledo e Rolim
Pátria das musas e das guerrilheiras
Barbara Heliodora, Marília, Anita Garibaldi
Pátria eleita de Tomás Antonio Gonzaga
Pátria dos namorados, dos insubmissos e dos mártires

Fogueira de Antonio José
Alarma de Vida Rica
Proclamação do Ipiranga
Bandeira partida de Copacabana
Muralha queimada do 3º Regimento
Pátria de Luiz Carlos Prestes

Sou Felipe dos Santos
Sou o Zumbi dos Palmares

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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quarta-feira, agosto 10, 2011

Para Oswald de Andrade, o poeta nasceu compromissado com a liberdade. E inutilmente conheceu a Estrela do Pastor.


Fronteira 

Quero estudar filosofia em Paris
Não pode ser
Só se o compadre Antunes te mandar
Mas a vida mesmo assim é boa
O compadre Antunes faliu
A vida é boa
O compadre Antunes morreu

Velho sino mudo
Que paras o teu ritmo no pânico
E aceleras os  teus passos
Na sedição
A semente frutifica sem aviso
O mascarado encherá de guizos tua mesa farta
Não pode ser
Mesmo assim a vida é boa

Poeta nasceste compromissado com a liberdade
E inutilmente conheceste a Estrela do Pastor

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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segunda-feira, junho 13, 2011

Se não fosse o Conde D'Eu, coitada da Dona Benvinda. Ditirambo, de Oswald de Andrade.


Ditirambo

No baile da Corte
Foi o Conde D'Eu quem disse
Para Dona Benvinda
Que farinha de Suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É comê bebê pitá e caí.

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Oswald_de_Andrade#Poesia



sexta-feira, janeiro 07, 2011

Pero Vaz de Caminha, segundo Oswald de Andrade. Simplesmente genial.



Pero Vaz Caminha


a descoberta

Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra

os selvagens

Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados

primeiro chá

Depois de dançarem
Diego Dias
Fez o salto real

as meninas da gare

Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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quinta-feira, outubro 07, 2010

O Brasil seria bem melhor se ainda fôssemos índios sem tanga e a nossa língua o tupi-guarani? Já pensou na amarga ironia do poeta?


Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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domingo, outubro 11, 2009

Para Oswald de Andrade, a poesia também existe para denunciar as injustiças sociais. E em sua rebeldia chega até a inventar um verbo irregular.



Verbo crackar


Eu empobreço de repente
Tu enriqueces por minha causa
Ele azula para o sertão
Nós entramos em concordata
Vós protestais por preferência
Eles escafedem a massa.

Sê pirata
Sede trouxas

Abrindo o pala
Pessoal sarado

Oxalá eu tivesse sabido que esse verbo era irregular.

Oswald de Andrade
(1890-1954)

(* verbo inventado, baseado no crack da Bolsa de Nova York em 1929)

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