quinta-feira, maio 08, 2008

Todas as portas e janelas se fecham, ninguém lhe responde e não querem vê-lo. Só insultos colhe, o rosto lhe viram, menos Sophia e sua revolta.


Cantar

Tão longo caminho
E todas as portas
Tão longo o caminho
Sua sombra errante
Sob o sol a pino
A água de exílio
Por estradas brancas
Quanto Passo andado
País ocupado
Num quarto fechado
As portas se fecham
Fecham-se janelas
Os gestos se escondem
Ninguém lhe responde
Solidão vindima
E não querem vê-lo
Encontra silêncio
Que em sombra tornados

Naquela cidade
Quanto passo andado
Encontrou fechadas
Como vai sozinho
Desenha as paredes
Sob as luas verdes
É brilhante e fria
Ou por negras ruas
Por amor da terra
Onde o medo impera
Os olhos se fecham
As bocas se calam
Quando ele pergunta
Só insultos colhe
O rosto lhe viram
Seu longo combate
Silêncio daqueles
Em monstros se tornam
Tão poucos os homens

Sophia de Mello Breyner

(1919-2004)

Mais sobre Sophia de Mello Breyner em

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sophia_de_Mello_Breyner


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Um comentário:

Rodrigo disse...

momento introspectivo.