sexta-feira, agosto 15, 2008

Rimando pudibunda com rubicunda, Bocage nos mostra o amor do século XVI. O tempo passa, mas o amor continua o mesmo do feliz casal de antão?


Levanta Alzira os olhos pudibunda

Levanta Alzira os olhos pudibunda
Para ver onde a mão lhe conduzia;
Vendo que nela a porra lhe metia
Fez-se mais do que o nácar rubicunda:

Toco o pentelho seu, toco a rotunda
Lisa bimba, onde Amor seu trono erguia;
Entretanto em desejos ardia,
Brando licor o pássaro lhe inunda:

C'o dedo a greta sua lhe coçava;
Ela, maquinalmente a mão movendo,
Docemente o caralho embalava:

"mais depressa" – lhe digo então morrendo,
Enquanto ela sinais do mesmo dava;
Mística pívia assim fomos comendo.

Manuel Maria Barbosa du Bocage

(1766-1805)

Mais sobre Manuel Maria Barbosa du Bocage em

http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Maria_Barbosa_Du_Bocage

2 comentários:

Anônimo disse...

Lindo! O corpo lembra.

Ana Paula disse...

"Amor seu trono erguia;"
O amor exigia!
Sim, Bocage, é assim que deve ser.
Adorei.