quarta-feira, abril 16, 2008

O que se perdeu foi pouco, mas era o que eu mais amava, nos diz Henriqueta Lisboa. Que sofrimento será este, o que se esconde em seus tristes versos?


Sofrimento


No oceano integra-se (bem pouco)
uma pedra de sal.
Ficou o espírito, mais livre
que o corpo.
A música, muito além,
do instrumento.
Da alavanca,
sua razão de ser: o impulso.
Ficou o selo, o remate
da obra.
A luz que sobrevive à estrela e
é sua coroa.
O maravilhoso. O imortal.
O que se perdeu foi pouco.
Mas era o que eu mais amava.

Henriqueta Lisboa
(1904-1985)

Mais sobre Henriqueta Lisboa em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Henriqueta_Lisboa

2 comentários:

Rodrigo disse...

Traduz uma tristeza e um apego ao passado.

Iraq disse...

O corpo é nada, mas é o que mais amamos...e nem percebemos além dele.