quinta-feira, abril 10, 2008

Horas, horas sem fim, esperarei por ti até que um pássaro me saia da garganta e no silêncio desapareça, diz em seu poema de amor Eugénio de Andrade.


Espera

Horas, horas sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.

Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.

Eugénio de Andrade
(1923-2005)

Mais sobre Eugénio de Andrade em

http://pt.wikipedia.org/wiki/Eug%C3%A9nio_de_Andrade

2 comentários:

Rodrigo disse...

O poeta mostra a retratação fiel da sensação da espera.

Carmen disse...

Sem fôlego, garganta seca, terminou
o poema e, eu, ploft!
demais demais,
como horas e horas de poesia saltando da boca, dos dedos, ....