segunda-feira, janeiro 19, 2009

Para Mario Quintana, as palavras ficam-lhe nas linhas como urubus plantados na cerca. E pergunta, onde a cantiga tão doce que o meu amor cantava?


Canção do poeta difícil


A minha pena é ásp'ra; a folha, que nem zinco!

Onde a cantiga tão doce
Que o meu amor cantava?

As palavras ficam-me nas linhas como urubus
plantados na cerca.

Quando eu era um passarinho
Morava numa gaiola
Que eu pensava que era um ninho...

Mas até onde, até onde eu vou puxar esta carreta?!

Quando eu era pequnino
Não usava ponto-e-vírgula...
Onde o arroio tão puro
Que de tão puro sumiu?


Mario Quintana
(1906-1994)

Mais sobre Mario Quintana em
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Quintana

Um comentário:

confetes disse...

Usar ponto-e-vírgula é realmente um passo para a maior idade intelectual, pelo menos assim eu me senti quando passei a usá-lo.