terça-feira, julho 08, 2008

Nuno Júdice trabalha o poema sobre uma hipótese: o amor que se despeja no copo da vida. E que deixa, como o vinho turvo, um gosto amargo na boca.


Plano

Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.

Nuno Júdice

Mais sobre Nuno Júdice em

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nuno_J%C3%BAdice

3 comentários:

Danilo disse...

Não existe nada melhor do que ler pela primeira vez um poeta que a gente sabe que sempre vai nos acompanhar.

Jac. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jac. disse...

Lindo esse poema!
Ele fala da ânsia em se sorver o amor.
Querê-lo todo de uma só vez.
Mas assim, com essa avidez, bebemos,
como ao vinho, o que no fundo resta
- um gosto amargo - O amor há que ser
tragado devagar, aos poucos...O poeta
sugere, que o tempo é que depura o amor