quinta-feira, março 27, 2008

Cecília Meireles todos os dias reconstrói suas edificações, em sonho eternas. E sua verdade diz que, enquanto aprende, desaprende e torna a aprender.


Hoje desaprendo o que tinha aprendido ontem

Hoje desaprendo o que tinha aprendido ontem
E que amanhã recomeçarei a aprender.
Todos os dias desfaleço e desfaço-me em cinza efêmera:
todos os dias reconstruo minhas edificações, em sonho eternas.

Esta frágil escola que somos, levanto-a com paciência
dos alicerces às torres, sabendo que é trabalho sem termo.
E do alto avisto os que folgam e assaltam, dono de riso e pedras.
Cada um de nós tem sua verdade, pela qual deve morrer.

De um lugar que não se alcança, e que é, no entanto, claro,
minha verdade, sem troca, sem equivalência nem desengano
permanece constante, obrigatória, livre:
enquanto aprendo, desaprendo e torno a aprender

Cecília Meireles
(1901-1964)

Mais sobre Cecília Meireles em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cec%C3%ADlia_Meireles

Um comentário:

Neide disse...

elindos os poemas ,poesias, tudo adro ler ,teatro,sou professora de capoeira ,estudo meu forte e poemas,bjos.