quinta-feira, agosto 24, 2006

Aceitará o amor como eu o encaro, perguntou o poeta. O que será que ela respondeu?


Aceitarás o amor como eu o encaro?...


Aceitarás o amor como eu o encaro ?
......Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.

Não exijas mais nada.
Não desejo também mais nada,
só te olhar, enquanto a realidade é simples,
e isto apenas.

Que grandeza... a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições.
O encanto que nasce das adorações serenas.

Mário de Andrade
(1893-1945)

Mais sobre Mário de Andrade em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mário_de_Andrade

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