sexta-feira, julho 02, 2010

Com meu Cantar, supero o Desespero, sou contra a Morte e nunca hei de morrer. Por isso, não vou nunca envelhecer, diz Ariano Suassuna em seus versos.


Abertura sob pele de ovelha

Falso Profeta, insone, Extraviado,
Vivo, Cego, a sondar o Indecifrável:
e, jaguar da Sibila - inevitável,
meu Sangue traça a rota desse Fado.

Eu, forçado a ascender, eu, Mutilado,
busco a Estrela que chama, inapelável.
E a pulsação do Ser, fera indomável,
arde ao Sol do meu Pasto - incendiado.

Por sobre a Dor, Sarça do Espinheiro
que acende o estranho Sol, sangue do ser,
transforma o sangue em Candelabro e Veiro.

Por isso, não vou nunca envelhecer:
com meu Cantar, supero o Desespero,
sou contra a Morte e nunca hei de morrer.

Ariano Suassuna
(1927)

Mais sobre Ariano Suassuna em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ariano_Suassuna

Um comentário:

Liana Mendes disse...

Ariano Suassuna é uma preciosidade. Adoro este poema dele! Acho-o tão dentro da epiderme... da primeira vez que li fiquei assustada tão certeiro ele vai na gente quando diz "No meu cantar supero o desespero". Demais.