sexta-feira, novembro 30, 2007

Quando estás vestida, ninguém imagina o mundo que escondes sob as tuas roupas. Nua na noite, palpitam teus mundos e os mundos da noite, diz Bandeira.


Nu

Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.

Brilham teus joelhos,
Brilha o teu umbigo,
Brilha toda a tua
Lira abdominal.

Teus exíguos
— Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos —

Brilham.) Ah, teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!

Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.

Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.
Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu’alma
Nua, nua, nua…

Manuel Bandeira

(1886-1968)

Mais sobre Manuel Bandeira em
http://pt.wikipedia.org/wikI/Manuel_Bandeira



Um comentário:

abelha disse...

Muito..Muito..LINDOOOOOOOOO!!!
fiquei encantada.
rsrsrsrsrsrsrsrsr.