segunda-feira, julho 18, 2011

Adélia Prado quis com paixão o seu vestido de amante. E na memória guardada, ela está no cinema e deixa que segurem a sua mão.



O vestido

No armário do meu quarto escondo de tempo e traça
meu vestido estampado em fundo preto.
É de seda macia desenhada em campânulas vermelhas
à ponta de longas hastes delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito,
meu vestido de amante.
Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocá-lo , volatiza-se a memória guardada:
eu estou no cinema e deixo que segurem a minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.

Adélia Prado
(1935)

Mais sobre Adélia Prado em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ad%C3%A9lia_Prado

Um comentário:

VerMent* disse...

Obrigada! Adélia é mesmo mister em transformar as coisas simples em sonhos.