sexta-feira, outubro 14, 2011

Florbela Espanca bebe a Vida, a Vida, a longos tragos. E canta: a Vida, meu Amor, quero vivê-la!


O nosso mundo

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Poisando em ti o meu olhar eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos...

Os meus sonhos agora são mais vagos...
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno...
E a Vida já não é o rubro inferno
Todos fantasmas tristes e pressagos!

A Vida, meu Amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor!... As nossas bocas juntas!...

Florbela Espanca
(1894-1930)

Mais sobre Florbela Espanca em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Florbela_Espanca

2 comentários:

Anita disse...

Belíssima Florbela em sua imensã sensibilidade...não conhecia este poema, ao menos não lembro agora...Obrigada!

Ligia disse...

Fantástico!
Já estou te seguindo!! :)
http://sweetlipstick.blogspot.com
Bjos