quarta-feira, março 09, 2011

Era uma vez uma potranca pampa que fazia voar nos cascos a campina. E Mauro Mota sente a dor de ver a filha de Centauro cair morta na pista logo no primeiro páreo.



A potranca

Era uma vez uma potranca branca
e alazã, flor quadrúpede e equina.
Era uma vez uma potranca pampa.
Fazia voar nos cascos a campina.

De mulher tinha o cheiro das axilas
e a cor da vulva no vigor das ancas.
A energia brotava das narinas,
do suor dos pêlos da potranca pampa.

Era uma vez a filha do Centauro,
quase aérea, suspensa pelas crinas,
a nostalgia do primeiro páreo.

Dor de vê-la cair na pista intacta,
morta e atenta à partida sobre os quatro
galopes paralíticos nas patas.

Mauro Mota
(1911-1984)

Mais sobre Mauro Mota em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mauro_Mota


Um comentário:

nagaiver disse...

Muito bom, parabéns.