quarta-feira, junho 03, 2015

Amor é um não sei quê, que nasce não sei onde. E vem não sei como e dói não sei porquê, confessa em versos sofridos Luís de Camões.


Busque Amor novas artes

Erros meus, má fortuna, amor ardente

Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Gênio de vinganças!

Luis Vaz de Camões
(1524-1580)

Mais sobre Luis Vaz de Camões em

Um comentário:

Alexandre Pitta Guedes disse...

ficou com o título errado :)