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sábado, maio 15, 2010

Maria Teresa Horta cumpre os seus limites, não cumprindo as regras. Ela não pretende mais do que o limite.


Não pretendo mais do que o limite


Não pretendo mais do que o limite,
que para além do limite
já se entrega

Eu cumpro os meus
limites,
não cumprindo as regras

Maria Teresa Horta

Mais sobre Maria Teresa Horta em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

terça-feira, abril 20, 2010

Docemente afago, a tua boca apago. E vou negando a minha docemente, nos versos de amor de Maria Teresa Horta.


Docemente


Docemente
disponho dos teus braços

dos peixes que navegam
docemente

Docemente
disponho em minha face

a faca dos teus olhos
docemente.

Docemente
canso, disponho do cansaço

primeiro do teu afago
docemente

Docemente
afago, a tua boca apago

e vou negando a minha
docemente.

Maria Teresa Horta

Mais sobre Maria Teresa Horta em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

terça-feira, abril 06, 2010

Dizer do corpo o corpo da poesia, pensar do corpo o corpo da poesia, escrever do corpo o corpo da poesia. Para Maria Teresa, um corpo, dois corpos.


O corpo, dois corpos


Dizer do corpo
o corpo da poesia

Os ombros
os seios
o ventre que sequestra

entre as pernas fechadas
a vagina
com a sua longa boca entreaberta

Pensar do corpo
o corpo da poesia

Mais os dedos do que as mãos
sobre as arestas
Mais as fendas do que o liso

Mais a ruga
Mais a ruga das coxas
e das pernas

Depois vêm os dentes e a língua
a descer no trilho brando do umbigo
bebendo o sal do suor da pele
e o fermento de um doce que não digo

Escrever do corpo
o corpo da poesia

Os pulsos tão febris
a nuca
e a garganta

O silêncio de uns olhos
que por certo queriam
ver bem mais longe do que o pubis
deixa

Maria Teresa Horta

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

quinta-feira, março 11, 2010

Os dois corpos, na paixão de Maria Teresa Horta.


Os dois corpos


O peito - o feltro
a curva da cintura

as mãos - os dedos
a lentidão dos braços

da boca
os gomos

da outra boca
os dentes

A laranja
das coxas

o ventre
que entreabres

O vaso
o visco - o suco
do teu corpo

O surto
o sítio - o véu do teu
palato

os pés - o pénis
no sono dos meus ombros

os seios - as pernas
os pulsos
que entreabres

O vidro do desejo
o vinho dos teus olhos

o vagar da arte
dos teus hábitos

O cedo
a seda da pele
das virilhas

na branca sede
da curva dos teus lábios.

Maria Teresa Horta

Mais sobre Maria Teresa Horta em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

segunda-feira, novembro 30, 2009

Quem disse, quem? A busca de Maria Teresa Horta para muitas questões.


Quem disse


Quem disse
que esta ausência te devia?

Quem pensou
que esta denúncia se enganava?

Que um dia era pior
que outro dia
Que à noite era melhor
porque senhava?

Quem disse
que esta dor te pertencia?

Quem pensou que este amor
me perturbava?

Que o longe era mais perto
se fugias
Que o dentro era mais longe
porque estavas?

Quem disse
que este ardor te evidencia?

Quem pensou que esta pena
me cansava?

Que calar era pior
se te despia
Que gritar era melhor
se te largava?

Quem disse
que esta paixão me curaria?

Quem pensou que esta loucura
me passava?

Que deixar-te era paz
porque corria
Que querer-te era mau
porque te amava?

Quem disse
que esta paixão te espantaria?

Quem pensou que esta saudade
me rasgava?

Que tudo era diferente
se te via
Que o pior era saber
que aqui não estavas?

Quem disse
que esta ternura te devia?

Quem pensou que este saber
se enganava?

Neste langor crescente
que desvia
Neste entender de nós
que cintilava?

Maria Teresa Horta

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

quarta-feira, outubro 28, 2009

Em versos de muito amor e paixão, Maria Teresa Horta leva a bandeira do orgasmo. E para tão grande amor é curta a vida.


Delírio


É o meu mel
que eu cheiro na tua boca

É no teu pênis
que eu bebo a sede toda

Nos meus lábios abertos
que me vencem
eu nada devagar sem ter vergonha

É a lagoa - eu digo
de veludo

É o grito - eu sei
na raiva solta

É a proa do prazer
sobre o lençol
onde mais tarde vai rebentar a onda

Secreto é o ruído
dos corpos
no embate

Os elmos já depostos pelo chão
caídas as viseiras e as máscaras
o vestido misturado à armação

São fulvos os cavalos
com as patas cor do pó
tropeçando na paz adormecida

Eu levo a bandeira
do orgasmo
E "para tão grande amor é curta a vida".

Maria Teresa Hosta

Mais sobre Maria Teresa Horta em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

domingo, setembro 06, 2009

Maria Teresa sente a febre a nascer e a crescer debaixo, o instante exato em que tudo se prende ao gesto sem sentido. E tira pela cabeça o vestido.


Amêndoa amarga


Este travo inteiro
a amêndoa
amarga

A ameixa
a doce a ferver no tacho

Esse travo na língua
a fermentar no corpo

A febre a nascer
e crescer debaixo

Em baixo...
a saia a subir nas coxas
e esse cheiro mais grosso se entreabro

As pernas os lábios
e o gosto
onde o sabor da amêndoa se torna mais
amargo

É esse o momento
o instante exacto
em que tudo se prende
ao gesto sem sentido

A calda no ponto
deixa a língua em brasa

E eu tiro pela cabeça
o meu vestido

Maria Teresa Horta

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

sábado, agosto 15, 2009

Falar da paixão mais do que o sangue, mais do que o fogo trazido ao coração, mais do que a rosa acesa só por dentro. De amor, por Maria Teresa Horta.


De amor


Falar da paixão
mais do que o sangue

Mais do que o fogo
trazido ao coração

Mais do que a rosa acesa
só por dentro
revolvendo no peito
a ponta de um arpão

Falar de febre sem fé
do animal feroz

Dos líquens abertos
e dos lírios

Falar desassosego sem razão
uma raiva que silva
no delírio

quanto dói a dor
no peito
Quanto é contraditória
esta prisão
que me faz ficar livre no que sinto
e logo envenenada à tua mão

Maria Teresa Horta

Mais sobre Maria Teresa Horta em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

sábado, junho 27, 2009

Existem pedras nos olhos, mas não as tragas contigo. Foi o que pediu Maria Teresa Horta ao seu amor e seu amigo.


Existem pedras


Existem pedras nos olhos
mas não as tragas
contigo

meu amor
e meu amigo

Existem pedras nas mãos
mas não as uses
comigo

meu amor
e meu amigo

Existem pedras sedentas
de amor e muito perigo

Não querias que elas inventem
motivos de meu castigo

Maria Teresa Horta

Mais sobre Maria Teresa Horta em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

quarta-feira, abril 08, 2009

No belo poema de Maria Teresa Horta, o amor de que ela se cala e não diz. Amor já saudade, amor já instinto.


Saudade


Saudade já saudade
antes saudade
amor de te não ver
porque pressinto

se sinto que te ter
é não saber
distância já agora
e que não minto

Amor de que me calo
e te não digo

amor já saudade
já instinto

Maria Teresa Horta

Mais sobre Maria Teresa Horta em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

quinta-feira, março 12, 2009

Pouco a pouco vou repelindo a noite e tu, dentro de mim, vais descobrindo vales. Nos versos de Maria Teresa Horta, as lembranças de nossas madrugadas.


As nossas madrugadas


Desperta-me de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito

pois suspeitas

que com ele me visto e me
defendo

É raiva
então ciúme
a tua boca

é dor e não
queixume
a tua espada

é rede a tua língua
em sua teia

é vício as palavras
com que falas

E tomas-me de força
não o sendo

e deixo que o meu ventre
se trespasse

E queres-me de amor
e dás-me o tempo

a trégua
a entrega
e o disfarce

E lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lençol que desfazes
na pressa de teres o que só sentes
e possuíres de mim o que não sabes

Despertas-me de noite
com o teu corpo

tiras-me do sono
onde resvalo

e eu pouco a pouco
vou repelindo a noite

e tu dentro de mim
vais descobrindo vales.

Maria Teresa Horta

Mais sobre Maria Teresa Horta em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

quinta-feira, março 05, 2009

Maria Teresa Horta sofre entre a tristeza e a saudade. Tudo pela solidão dos dias sem ternura.


Solidão


Entre a tristeza
e a saudade

um vago pátio interior
onde flutua

mansamente nos olhos
e ao fluir dos lábios

a solidão dos dias
sem ternura.

Maria Teresa Horta

Mais sobre Maria Teresa Horta em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Comigo me desavim, minha senhora de mim. Sem ter dor ou cansaço, confessa Maria Teresa Horta.


Minha senhora de mim


Comigo me desavim
minha senhora
de mim

sem ter dor ou ser cansaço
nem o corpo que disfarço

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

nunca dizendo comigo
o amigo nos meus braços

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

recusando o que é desfeito
no interior do meu peito

Maria Teresa Horta

Mais sobre Maria Teresa Horta em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferreira_Gullar

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Em sua invocação, Maria Teresa Horta expõe-se por inteiro. Mais do que pedir, ela se dá toda ao seu amor.


Invocação ao amor


Pedir-te a sensação
a água
o travo

aquele odor antigo
de uma parede
branca

Pedir-te da vertigem
a certeza
que tens nos olhos quando
me desejas

Pedir-te sobre a mão
a boca inchada
um rasto de saliva
na garganta

pedir-te que me dispas
e me deites
de borco e os meus seios
na tua cara

Pedir-te que me olhes e me aceites
me percorras
me invadas
me pressintas

Pedir-te que me peças
que te queira
no separar das horas
sobre a língua

Meu ciúme
meu perfil
minha fome

meu sossego
minha paz
minha aventura

Meu sabor
minha avidez
saciedade

minha noite
minha angústia
meu costume

Maria Teresa Horta

Mais sobre Maria Teresa Horta em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

sábado, dezembro 27, 2008

Naquela noite, Maria Teresa Horta tudo queria do seu amor. Até da saliva o chicote da sua língua dormente.


Noite


De noite só quero vestido
o tecido dos teus dedos
e sobre os ombros a franja
do final dos cabelos

Sobre os seios quero
a marca
do sinal dos teus dentes

e a vergasta dos teus
lábios
a doer-me sobre o ventre

Nas pernas e no pescoço
quero a pressão mais
ardente

e da saliva o chicote
da tua língua dormente.

Maria Teresa Horta

Mais sobre Maria Teresa Horta em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

segunda-feira, outubro 27, 2008

Desperta-me de noite o teu desejo. E queres-me de amor, na pressa de teres o que só sentes e possuires de mim o que não sabes, canta Maria Teresa.


As nossas madrugadas


Desperta-me de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito
pois suspeitas
que com ele me visto e me
defendo
É raiva
então ciúme
a tua boca
é dor e não
queixume
a tua espada
é rede a tua língua
em sua teia
é vício as palavras
com que falas
E tomas-me de força
não o sendo
e deixo que o meu ventre
se trespasse
E queres-me de amor
e dás-me o tempo
a trégua
a entrega
e o disfarce
E lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lenços que desfazes
na pressa de teres o que só sentes
e possuires de mim o que não sabes
Despertas-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo
e eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vais descobrindo vales.

Maria Teresa Horta

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

segunda-feira, outubro 06, 2008

Nem só do teu silêncio direi raiva, nem de todo o meu corpo direi vício. E apenas do teu pênis direi ter sido, diz uma ousada Maria Tereza Horta.


Nem só

Nem só do teu silêncio
direi raiva
Nem de todo o meu corpo
direi vício

nem de todo o pênis
direi arma
e apenas do teu direi ter sido

Quando o vácuo é de
vingar
ou de vergar
cravando sobre os seios a sua enxada

Quando a minha boca se conjuga
no baixo do teu ventre
e tua espada...

nem de todo o desejo
direi verão
nem de todo o grito
a tua imagem

nem de toda a ausência
direi chão
e só de teus flancos
a viagem

Maria Tereza Horta

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terça-feira, setembro 02, 2008

Há o mistério daquilo que nos cerca. Aquilo que se encobre e de que a pátria é a expressão provável do que é certo, diz em versos Maria Teresa Horta.


Mistério


Há o mistério
daquilo que nos cerca
O cetim do vestido sobre o corpo

O encontro do passado
com a memória
Quando o sol e a lua se desmontam

Há as lágrimas
ainda
a aprendizagem

A nudez
de um sentimento
aberto

Aquilo que se encobre
e de que a pátria
é a expressão provável do que é certo

Maria Teresa Horta

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