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sábado, novembro 19, 2011

Acabaram-se os tempos e morreram as árvores e os homens. Mas no poema de Ismael Nery para ela, um anjo encontrou dois corpos fortemente enlaçados.



Poema para Ela

Acabaram-se os tempos.
Morreram as árvores e os homens,
Destruíram-se as casas,
Submergiram-se as montanhas.
Depois o mar desapareceu.
O mundo transformou-se numa enorme planície
Onde só existe areia e uma tristeza infinita.
Um anjo sobrevoa os destroços da terra,
Olhando a cólera de um Deus ofendido.
E encontrou nossos dois corpos fortemente enlaçados
Que a raiva do Senhor não quis destruir
Para a eterna lembrança do maior amor.

Ismael Nery
(1900-1934)

Mais sobre Ismael Nery em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ismael_Nery

sábado, outubro 15, 2011

Ismael Nery não quer ser Deus por orgulho, mas por necessidade, por vocação. Esta a grande diferença que ele tem de Satã.


Confissão

Não quero ser Deus por orgulho.
Eu tenho esta grande diferença de Satã.
Quero ser Deus por necessidade, por vocação.
Não me conformo nem com o espaço nem com o tempo,
Nem com o limite de coisa alguma.
Tenho fome e sede de tudo,
Implacável,
Crescente,
Eterna,
- De mim que me desprezo e me acredito um nada.

Ismael Nery
(1900-1934)

Mais sobre Ismael Nery em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ismael_Nery

segunda-feira, maio 03, 2010

Eu sou o que não existe entre o que existe. Eu sou o poeta Ismael Nery, que às vezes não gosta de si.


Eu


Eu sou a tangência de duas formas opostas e justapostas
Eu sou o que não existe entre o que existe.
Eu sou tudo sem ser coisa alguma.
Eu sou o amor entre os esposos,
Eu sou o marido e a mulher,
Eu sou a unidade infinita
Eu sou um deus com princípio
Eu sou poeta!

Eu tenho raiva de ter nascido eu,
Mas eu só gosto de mim e de quem gosta de mim.
O mundo sem mim acabaria inútil.
Eu sou o sucessor do poeta Jesus Cristo
Encarregado dos sentidos do universo.
Eu sou o poeta Ismael Nery
Que às vezes não gosta de si.

Eu sou o profeta anônimo.
Eu sou os olhos dos cegos.
Eu sou o ouvido dos surdos.
Eu sou a língua dos mudos.
Eu sou o profeta desconhecido, cego, surdo e mudo
Quase como todo o mundo.

Ismael Nery
(1900-1934)

Mais sobre Ismael Nery em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ismael_Nery