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domingo, fevereiro 13, 2011
Na ode de Ricardo Reis, cada dia sem gozo não foi teu, foi só durares nele. Quanto vivas sem que o gozes, não vives.
Cada dia
Cada dia sem gozo não foi teu
Foi só durares nele. Quanto vivas
Sem que o gozes, não vives.
Nada pesa que ames, bebas ou sorrias:
Basta o reflexo do sol ido na água
De um charco, se te é grato.
Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas
Seu prazer posto, nenhuma dia nega
A natural ventura!
Ricardo Reis,
um dos heterônimos de
Fernando Pessoa
(1888-1935)
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domingo, janeiro 30, 2011
Cada um cumpre o destino que lhe cumpre, e deseja o destino que deseja. Nem cumpre o que deseja, nem deseja o que cumpre, na ode de Ricardo Reis.
Cada um
Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja:
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.
Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.
Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.
Ricardo Reis, um dos heterônimos de
Fernando Pessoa
(1888-1935)
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domingo, novembro 28, 2010
Ricardo Reis e Sueli Costa, em "Segue o seu destino", por Nana Caymmi".
Segue o teu destino
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis, um dos heterônimos de
Fernando Pessoa
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis, um dos heterônimos de
Fernando Pessoa
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sábado, outubro 09, 2010
Prazer, mas devagar, Lídia, gozemos escondidos, a sorte inveja, emudeçamos. Para viver a vida, é preciso bem entender este poema de Ricardo Reis.
Prazer
Prazer, mas devagar,
Lídia, que a sorte àqueles não é grata
Que lhe das mãos arrancam.
Furtivos retiremos do horto mundo
Os depredandos pomos.
Não despertemos, onde dorme, a Erínis
Que cada gozo trava.
Como um regato, mudos passageiros,
Gozemos escondidos.
A sorte inveja, Lídia. Emudeçamos.
Ricardo Reis,um dos heterônimos de
Fernando Pessoa
(1888-1935)
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domingo, setembro 26, 2010
Tão cedo passa tudo quanto passa. Nada se sabe, tudo se imagina, na ode de Ricardo Reis.
Tão cedo passa
Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.
Ricardo Reis, um dos heterônimos de
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domingo, setembro 12, 2010
Estás só, ninguém o sabe, cala e finge. Mas finge sem sentimento, na ode de Ricardo Reis sobre a solidão.
Estás só
Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.
Mas finge sem sentimento.
Nada 'speres que em ti já não exista.
Cada um consigo é triste.
Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas,
Sorte se a sorte é dada.
Ricardo Reis, um dos heterônimos de
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quinta-feira, setembro 02, 2010
Prazer, mas devagar, Lídia, gozemos escondidos, a sorte inveja, emudeçamos. Para viver a vida, é preciso bem entender este poema de Ricardo Reis.
Prazer
Prazer, mas devagar,
Lídia, que a sorte àqueles não é grata
Que lhe das mãos arrancam.
Furtivos retiremos do horto mundo
Os depredandos pomos.
Não despertemos, onde dorme, a Erínis
Que cada gozo trava.
Como um regato, mudos passageiros,
Gozemos escondidos.
Lídia, que a sorte àqueles não é grata
Que lhe das mãos arrancam.
Furtivos retiremos do horto mundo
Os depredandos pomos.
Não despertemos, onde dorme, a Erínis
Que cada gozo trava.
Como um regato, mudos passageiros,
Gozemos escondidos.
A sorte inveja, Lídia. Emudeçamos.
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domingo, julho 18, 2010
Cada coisa a seu tempo tem seu tempo. E com mais sossego amemos a nossa incerta vida, diz Ricardo Reis à sua Lídia.
Cada coisa
Cada coisa a seu tempo tem seu tempo!
Não florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera
Têm branco frio os campos.
À noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta viva.
À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
Não puxemos a voz
Acima de um segredo.
E casuais, interrompidas, sejam
Nossas palavras de reminiscência
(Não para mais nos serve
A negra ida do sol).
Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes
Histórias, que nos falem
Das flores que na nossa infância ida
Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.
E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade,
Como quem compõe roupas
O outro compúnhamos
Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos
E há só noite lá fora.
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domingo, junho 27, 2010
Em uma de suas mais belas odes, Ricardo Reis não quer recordar nem conhecer-se. Para ele, melhor vida é a vida que dura sem medir-se.
Não quero
Não quero recordar nem conhecer-me.
Somos demais se olhamos em quem somos.
Ignorar que vivemos
Cumpre bastante a vida.
Tanto quanto vivemos, vive a hora
Em que vivemos, igualmente morta
Quando passa conosco,
Que passamos com ela.
Se sabê-lo não serve de sabê-lo
(Pois sem poder que vale conhecermos?)
Melhor vida é a vida
Que dura sem medir-se.
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quinta-feira, maio 27, 2010
Na ode de Ricardo Reis, acima da verdade estão os deuses. No seu calmo Olimpo são eles outra Natureza, não pertence à ciência conhecê-los.
Acima da verdade
Acima da verdade estão os deuses.
A nossa ciência é uma falhada cópia
Da certeza com que eles
Sabem que há o Universo.
Tudo é tudo, e mais alto estão os deuses,
não pertence a ciência conhecê-los,
Mas adorar devemos
Seus vultos como às flores,
Porque visíveis à nossa alta vista,
São tão reais como reais as flores
E no seu calmo Olimpo
São outra Natureza.
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sábado, março 27, 2010
Ricardo Reis não quer recordar-se nem conhecer-se. Para ele, melhor vida é a vida que dura sem medir-se
Não quero
Não quero recordar nem conhecer-me,
Somos demais se olhamos em quem somos.
Ignorar que vivemos
Cumpre bastante a vida.
Tanto quanto vivemos, vive a hora
Em que vivemos, igualmente morta
Quando passa conosco,
Que passamos com ela.
Se sabê-lo não serve de sabê-lo
(Pois sem poder que vale conhecermos?)
Melhor vida é a vida
Que dura sem medir-se.
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sábado, março 13, 2010
Para Ricardo Reis, a cada hora se muda não só a hora, mas o que se crê nela. E a inglória vida passa entre viver e ser.
Inglória
Inglória é a vida, e inglório o conhecê-la.
Quantos, se pensam, não se reconhecem
Os que se conheceram!
A cada hora se muda não só a hora
Mas o que se crê nela, e a vida passa
Entre viver e ser.
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domingo, dezembro 06, 2009
Na ode de Ricardo Reis, cada um cumpre o destino que lhe cumpre e deseja o destino que deseja. Nem cumpre o que deseja, nem deseja o que cumpre.
Cada um
Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja:
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.
Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.
Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.
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sábado, outubro 31, 2009
Em sua ode, Ricardo Reis diz que tudo é tão pouco, nada se sabe, tudo se imagina. Por isso, circunda-te de rosas, ama, bebe e cala: o mais é nada.
Tão cedo passa
Tão cedo passa tudo quando passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.
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domingo, outubro 04, 2009
Nada fica de nada, nada somos. Para Ricardo Reis, somos contos contando contos, nada.
Nada fica
Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.
Leis feitas, estátuas vistas, odes findas -
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada.
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domingo, agosto 16, 2009
Se recordo quem fui, outrem me vejo. E sinto que quem sou e quem fui são sonhos diferentes, diz Ricardo Reis em sua ode.
Se recordo
Se recordo quem fui, outrem me vejo,
E o passado é o presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
Não é de mim nem do passado visto,
Senão de quem habito
Por trás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece,
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
Que quem sou e quem fui
São sonhos diferentes.
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quinta-feira, agosto 06, 2009
Para Ricardo Reis, acima da verdade estão os deuses, que são tão reais como reais as flores. E no seu calmo Olimpo são outra Natureza.
Acima da Verdade
Acima da verdade estão os deuses.
A nossa ciência é uma falhada cópia
Da certeza com que eles
Sabem que há o Universo.
Tudo é tudo, e mais alto estão os deuses,
Não pertence à ciência conhecê-los,
Mas adorar devemos
Seus vultos como às flores,
Porque visíveis à nossa alta vista,
São tão reais como reais as flores
E no seu calmo Olimpo
São outra Natureza.
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quarta-feira, julho 15, 2009
Gozo sonhado é gozo, ainda que em sonho. Nós o que nos supomos nos fazemos, na ode de Ricardo Reis.
Gozo sonhado
Gozo sonhado é gozo, ainda que em sonho.
Nós o que nos supomos nos fazemos.
Se com atenta mente
Resistirmos em crê-lo.
Não, pois meu modo de pensar nas coisas,
Nos seres e no fado me consumo.
Para mim crio tanto
Quanto para mim crio.
Fora de mim, alheio ao em que penso,
O Fado cumpre-se. Porém eu me cumpro
Segundo o âmbito breve
Do que de meu me é dado.
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quarta-feira, junho 10, 2009
Sim, sei bem que nunca serei alguém. Sim, mas agora, deixem-me crer o que nunca poderei ser, diz Ricardo Reis em uma de suas mais belas odes.
Sim
Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.
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domingo, maio 17, 2009
Do que quero renego, se o querê-lo me pesa na vontade. Nada que haja vale que lhe concedamos uma atenção que doa, canta Ricardo Reis em sua ode.
Do que quero
Do que quero renego, se o querê-lo
Me pesa na vontade. Nada que haja
Vale que lhe concedamos
Uma atenção que doa.
Meu balde exponho à chuva, por ter água.
Minha vontade, assim, ao mundo exponho,
Recebo o que me é dado,
E o que falta não quero.
O que me é dado quero
Depois de dado, grato.
Nem quero mais que o dado
Ou que o tido desejo.
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