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domingo, setembro 27, 2009

Oswald de Andrade observa as reações dos passarinhos, das estudantes e das telefonistas. E descobre que só as árvores não desertam quando a noite luz.


Barricada


Todos os passarinhos da Praça da República

Voaram

Todas as estudantes

Morreram de susto

Nos uniformes de azul e branco

As telefonistas tiveram uma síncope de fios

Só as árvores não desertam

Quando a noite luz


Oswald de Andrade

(1890-1954)


Mais sobre Oswald de Andrade em

http://pt.wikipedia.org/wiki/Oswald_de_Andrade



quinta-feira, agosto 06, 2009

Oswald de Andrade aprendeu o que é a poesia com seu filho de dez anos. E você?


3 de Maio

Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi.

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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sexta-feira, julho 10, 2009

Em 1925, o modernista Oswald de Andrade já cantava a importância dos prazeres da alma. E diante da vitrola, exigia: discos a todos os preços.


Música de manivela


Sente-se diante da vitrola
E esqueça-se das vicissitudes da vida
Na dura labuta de todos os dias
Não deve ninguém que se preze
Descuidar dos prazeres da alma
Discos a todos os preços

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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quarta-feira, junho 03, 2009

Eles querem matar todo amor, denuncia Oswald de Andrade. E grita, com revolta: atira, resiste, defende, o futuro será de toda a humanidade.


Alerta


Lá vem o lança-chamas
Pega a garrafa de gasolina
Atira
Eles querem matar todo amor
Corromper o pólo
Estancar a sede que eu tenho doutro ser
Vem do flanco, de lado
Por cima, por trás
Atira
Atira
Resiste
Defende
De pé
De pé
De pé
O futuro será de toda a humanidade.

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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quarta-feira, maio 27, 2009

Oswald de Andrade vê a metalúrgica a pleno vapor para aumentar os lucros dos seus donos. E lá embaixo os operários forjam as primeiras lascas de aço.


Metalúrgica


1300º à sombra dos telheiros retos
12000 cavalos invisíveis pensando
40000 toneladas de níquel amarelo
Para sair do nível das águas esponjosas
E uma estrada de ferro nascendo do solo
Os fornos entroncados
Dão o guso e a escória
A refinação planta barras
E lá embaixo os operários
Forjam as primeiras lascas do aço

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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sábado, março 21, 2009

O que será que o Conde D'Eu disse para Dona Benvinda no baile da Corte e só Oswald de Andrade ficou sabendo?


Relicário


No baile da Corte
Foi o Conde D'eu quem disse
Pra Dona Benvinda
Que farinha de Suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É comê bebê pitá e caí


Oswald de Andrade
(1890-1954)

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quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Oswald de Andrade e os gramáticos. Sempre às turras, até na Poesia.


O gramático


Os negros discutiam
Que o cavalo sipantou
Mas o que mais sabia
Disse que era
Sipantarrou.

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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sexta-feira, outubro 31, 2008

Quem não já escreveu algo parecido em momento de paixão, não viveu um grande amor. Para eles, o "Secretário dos Amantes", de Oswald de Andrade.


Secretário dos Amantes

I

Acabei de jantar um excelente jantar
116 francos
Quarto 120 francos com água encanada
Chauffage central
Vês que estou bem de finanças
Beijos e coisas de amor

II

Bestão querido
Estou sofrendo
Sabia que ia sofrer
Que tristeza este apartamento de hotel

III

Granada é triste sem ti
Apesar do sol de ouro
E das rosas vermelhas

IV

Mi pensamiento hacia Medina del Campo
Ahora Sevilla envuelta en oro pulverizado
Como una dádiva s mis ojos enamorados
Sin embargo que tarde la mia

V

Que alegria teu rádio
Fiquei tão contente
que fui à missa
Na igreja toda a gente me olhava
Ando desperdiçando beleza
Longe de ti

VI

Que distância!
Não choro
porque meus olhos ficam feios.

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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sábado, agosto 16, 2008

Não permita Deus que eu morra sem que volte pra São Paulo, sem que veja a Rua 15 e o progresso de São Paulo. Assim, Oswald canta a sua pátria.

Canto de regresso à Pátria

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.

Oswald de Andrade(1890-1954)

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terça-feira, abril 08, 2008

Impressionado pela beleza pré-antropofágica da tela "Caipirinha", de Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade escreveu este lindo poema modernista.


Atelier

Caipirinha vestida por Poiret
A preguiça paulista reside nos teus olhos
Que não viram Paris nem Piccadilly
Nem as exclamações dos homens
Em Sevilha
À tua passagem entre brincos

Locomotivas e bichos nacionais
Geometrizam as atmosferas nítidas
Congonhas descora sob o pálio
Das procissões de Minas
A verdura do azul klaxon
Cortada
Sobre a poeira vermelha

Arranha-céus
Fords
Viadutos
Um cheiro de café
No silêncio emoldurado

Oswald de Andrade

(1890-1954)

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quarta-feira, março 05, 2008

Oswald de Andrade procurou ver se aprendia como é que se fazia uma balada. Mas chegou à conclusão que não há poesia num hotel.


Balada do Esplanada


Ontem à noite
Eu procurei
Ver se aprendia
Como é que se fazia
Uma balada
Antes de ir
Pro meu hotel.
É que este
Coração
Já se cansou
De viver só
E quer então
Morar contigo
No Esplanada.

Eu queria
Poder
Encher
Este papel
De versos lindos
É tão distinto
Ser menestrel
No futuro
As gerações
Que passariam
Diriam
É o hotel
É o hotel
Do menestrel

Pra me inspirar
Abro a janela
Como um jornal
Vou fazer
A balada
Do Esplanada
E ficar sendo
O menestrel
De meu hotel

Mas não há, poesia
Num hotel
Mesmo sendo
'Splanada
Ou Grand-Hotel

Há poesia
Na dor
Na flor
No beija-flor
No elevador

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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quarta-feira, julho 11, 2007

Pero Vaz de Caminha segundo Oswald de Andrade, simplesmente genial em seus versos.


Pero Vaz Caminha


a descoberta

Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra

os selvagens

Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados

primeiro chá

Depois de dançarem
Diego Dias
Fez o salto real

as meninas da gare

Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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terça-feira, abril 10, 2007

Neste poema, o mais rebelde dos modernistas reescreve um pouco da carta de Pero Vaz que aqui Caminha.


Pero Vaz Caminha


a descoberta

Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava de Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra

os selvagens

Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados

primeiro chá

Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real

as meninas da gare

Eram tres ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha

Oswald de Andrade

(1890-1954)

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terça-feira, abril 03, 2007

Dê-me um cigarro, diz a gramática do professor e do aluno. Já o poeta diz: deixa disso camarada, os brasileiros dizem mesmo é me dá um cigarro.


Pronominais


Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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quarta-feira, setembro 06, 2006

No Manifesto Antropofágico, Oswald de Andrade já dizia que antes de os portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.


Erro de Português


(...)
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Oswald de Andrade
(1890-1954)

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domingo, agosto 20, 2006

O Brasil seria bem melhor se ainda fôssemos índios sem tanga e a nossa língua o tupi-guarani? Já pensou na amarga ironia do poeta?


Erro de português


Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.


Oswald de Andrade
(1890-1954)

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